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EPILEPSIA AUSÊNCIA
Laura
Hospital Universitário da
Universidade de São Paulo. Unidade de
Pesquisa e Tratamento das Epilepsias – UNIFESP
Resumo
As crises de ausência se caracterizam por início
abrupto, com interrupção das atividades, olhar parado e possível versão dos
olhos para cima, com duração de poucos segundos, associadas ao padrão eletrencefalográfico de complexos de espícula-onda (CEO)
simétricos ritmados a 2-4Hz, predominantemente a 3Hz,
com atividade de base normal, e as crises de ausência atípica, nas quais o
início e final seriam menos abruptos e as alterações do tônus menos marcadas do
que na forma anterior, associadas a CEO lentos e irregulares, atividade rápida
geralmente assimétrica, com atividade de base anormal (ILAE, 1981). Várias
síndromes epilépticas apresentam crises de ausência típica: Epilepsia Ausência
da Infância, Epilepsia Ausência da Juventude, Epilepsia Mioclônica
Juvenil, Epilepsia com crises TCG ao despertar, Epilepsia com Ausências Mioclônicas, Epilepsias desencadeadas por modos específicos
de precipitação; as ausências atípicas manifestam-se nas síndromes sintomáticas
como a Síndrome de Lennox-Gastaut, Epilepsia com
crises Mioclônico-atônicas (ILAE, 1989). Foi verificado
o caráter genético da epilepsia ausência desde o trabalho pioneiro de W. Lennox
na década de 50 e recentemente pela descrição de genes de susceptiblidade
em algumas famílias como SCN1B, GABRG2 e CACNA1H. O tratamento consiste na
restrição de fatores desencadeantes como privação de sono e do uso de DAE de
amplo espectro como VPA, BZD e LTG.
Unitermos: crise de
ausência, epilepsia, EEG, classificação, genética, tratamento.
Abstract
Absence epilepsy
Absence
seizures are characterized by abrupt onset, with interrpution
of activities, staring and possible upwards eye deviation, lasting a few
seconds, associated to the EEG pattern of symetric
rhythmic 2-4Hz (predomintantly 3Hz) spike-wave
complexes (SWC) with normal background activity, and atypical absences, in
which the onset and end are less abrupt
and tonus abnormalities are less marked than in the latter form, are associated
to irregular and slow SWC, fast activity, usually asymmetric, with abnormal
background activity (ILAE, 1981). Several epileptic syndromes present typical
absence seizures: Childhood Absence Epilepsy, Juvenile Absence Epilepsy, Juvenile
Myoclonic Epilepsy, Epilepsy with GTC Seizures on
arousal, Epilepsy with Myoclonic Absences, Epilepsy
with seizures precipitated by specific factors; atypical absences may be
present in symptomatic epilepsies such as Lennox-Gastaut
Syndrome and Epilepsy with Myoclonic-astatic Seizures
(ILAE 1989). It has been described a genetic pattern in absence epilepsy since
the pioneer work of W. Lennox in the fifties and recently by the description of
susceptibilities genes in some families such as SCN1B , GABRG2 and CACNA1H.
Treatment consists of precipitating factors restriction, such as sleep
deprivation, and the use of wide spectrum AEDs such as VPA, BZD and LTG.
Key-words:
absence seizure, epilepsy, EEG, classification, genetics, treatment.
I-
Introdução
A
Comissão de Classificação da ILAE descreveu em 1981, as ausências como crises
de início abrupto, com interrupção das atividades, olhar parado e possível
versão dos olhos para cima, com duração de poucos segundos, associadas ao
padrão eletrencefalográfico de complexos de
espícula-onda (CEO) simétricos ritmados a 2-4Hz,
predominantemente a 3Hz, com atividade de base normal. Em grupo à parte foram
descritas as crises de ausência atípica, nas quais o início e final seriam
menos abruptos e as alterações do tônus menos marcadas que na forma anterior
associadas a CEO lentos e irregulares, atividade rápida geralmente de forma
assimétrica, com atividade de base anorma 1.
A
incidência de crises de ausência típica (AT) varia de 0,7-4,6/100.000 na
população geral, e de 6-8/100.000 em crianças e adolescentes até a idade de 15 anos2,3.
II - Apresentação clínico-eleletroencefalográfica
A
classificação das síndromes epilépticas continua permanentemente em evolução, sendo que a publicação da ILAE de
1989 considera as formas de síndromes epilépticas generalizadas (SEG)
idiopáticas que cursam com AT que descreveremos a seguir4.
·
Epilepsia Ausência
da Infância (Picnolepsia)
Poupart em
1705 descreveu esta entidade, que ocorre em crianças normais em idade escolar
(pico 6-7 anos), com forte predisposição genética. A epilepsia ausência da
infância é mais freqüente em meninas e se caracteriza por crises de ausências
muito freqüentes (várias por dia), de curta duração (em média 10 segundos) sem
confusão pós-ictal. A classificação da ILAE (1981)
reconheceu 7 subformas de AT,
a saber1: 1) Ausência com distúrbio de consciência. O
paciente cessa abruptamente suas atividades e permanece com o olhar fixo. Os
olhos podem se desviar para cima. As crises terminam subitamente e o paciente
geralmente não as percebe, e retoma as suas atividades. 2)
Ausência com componente clônico discreto.
Ocorrem clonias discretas nas pálpebras, cantos da
boca e às vezes extremidades superiores. Os movimentos ocorrem na freqüência de
3Hz e são sutis. 3) Ausência
com componente atônico. Hipotonia súbita da cabeça ou mãos. 4) Ausência com componente tônico. Aumento do tônus
nos flexores e extensores, simétrico ou não. Geralmente a hipertonia é discreta
e breve. 5) Ausência com automatismos. Quando o
ataque é relativamente prolongado, movimentos estereotipados podem mimetizar
aqueles das crises parciais complexas. 6) Ausência
com sintomas autonômicos. Hiperemia perioral, dilatação pupilar, taquicardia, piloereção, salivação, incontinência urinária. 7) Formas mistas. Várias combinações das formas
descritas acima.
Na
adolescência, crises TCG podem se desenvolver, mas geralmente as ausências são
o único tipo de crise e desaparecem após alguns anos. Persistência das crises
na vida adulta pode ocorrer4. O EEG ictal
apresenta CEO, a 3Hz, bilaterais, síncronos e
simétricos (Figura 1).

Figura 1. Paroxismos de complexos espícula-onda ritmados a 3Hz de projeção generalizada síncrona e simétrica em criança
de 10 anos de idade, que apresentava crises de ausência típica (Epilepsia
Ausência da Infância).
Ocasionalmente
se observam descargas assimétricas, com mudança de lado e unilaterais. As
descargas começam subitamente; a freqüência é geralmente de 3,0-3,5Hz no início
e diminui para 2,5-3,0Hz no final, e a espícula pode ficar menos evidente. As
ausências são precipitadas pela hiperventilação em
praticamente todos os pacientes não tratados e pela fotoestimulação
em 15% destes. Atividades que exijam atenção suprimem as crises. O EEG interictal mostra descargas de CEO a 3Hz.
No entanto deve-se salientar, que o diagnóstico da
manifestação clínica depende dos testes utilizados. A atividade de base é
normal, e eventualmente pode-se observar atividade delta posterior rítmica
intermitente (Figura 2). Durante o sono leve e também nos estágios profundos (3 e 4) as descargas aumentam em freqüência e irregularidade
e podem se desenvolver em espículas múltiplas.

Figura 2. Surtos de complexos espícula-onda
ritmados a 3Hz, de projeção generalizada precedidos por surto de ondas
lentas ritmadas nas regiões occipitais em paciente de 10 anos de idade, que
apresentava crises de ausência típica (Epilepsia Ausência da
Infância).
Panayiotopoulos
et al. aventaram a hipótese de
que as AT teriam características específicas nas diferentes síndromes5.
Ao estudarem várias formas de AT observaram que o grau de comprometimento da
consciência diminui com a idade. Ausências com discreta perda do contato em
crianças denotariam, portanto, epilepsias que se manteriam até a vida adulta.
Segundo esses autores, outras alterações clínicas ictais
iniciais como desvio dos olhos e tremores palpebrais, seriam inespecíficas.
Ausências com duração mais prolongada com maior comprometimento da consciência
poderiam ser acompanhadas por automatismos, vocalização, parada das atividades
voluntárias ou involuntárias e abertura dos olhos. Panayiotopoulos
considera que na epilepsia ausência da infância as características
eletrográficas são específicas para essa síndrome6. O EEG interictal
mostra atividade de base normal ou surtos de atividade delta rítmica nas
regiões posteriores (do inglês occipital intermittent rhythmic delta activity, OIRDA) e o ictal,
CEO de projeção generalizada de morfologia regular e relação constante de
espículas e ondas lentas, com duração de 10-12 segundos. Guilhoto
et al. observaram boa evolução nos pacientes que apresentavam OIRDA e
correlação com o tratamento, sugerindo que esse fosse um elemento de caráter
epileptiforme7.
·
Epilepsia
ausência juvenil
As ausências são as mesmas da picnolepsia, mas ausências com movimentos retropulsivos são menos comuns e a freqüência de crises é
menor. A manifestação clínica aparece na adolescência. Associação com crises
TCG é comum e freqüentemente estas crises precedem o aparecimento das ausências
e ocorrem ao despertar; crises mioclônicas também podem se associar. A distribuição nos
sexos é igual. Resposta à terapêutica é excelente 4.
O eletrencefalograma
interictal na epilepsia ausência juvenil caracteriza-se
pelo aparecimento de descargas de CEO de distribuição generalizada, simétrica
com acentuação frontal, geralmente ritmada a freqüência superior a 3Hz
(3,5-4Hz) (Figura 3). Para Panayiotopoulos as
ausências na epilepsia ausência juvenil são acompanhadas por CEO, poliespícula-onda (PEO), às vezes com fragmentação das
descargas e duração mais longa do que na forma da infância, em torno de 9-23
segundos 6. Fotossensibilidade foi
observada em 7,5% dos pacientes8.

Figura 3. Paroxismos de complexos espícula-onda, algo ritmados (>3 Hz), de projeção
generalizada em paciente de 14 anos de idade, que apresentava crises
de ausência típica (Epilepsia Ausência Juvenil).
·
Epilepsia mioclônica juvenil (Pequeno mal impulsivo)
Aparece ao redor da puberdade e se
caracteriza por crises com abalos mioclônicos
irregulares predominando nos braços, de forma bilateral, única ou repetida,
arrítmica. Os abalos podem provocar quedas, não sendo notado distúrbio de
consciência. O distúrbio pode ter um caráter hereditário e a distribuição nos
sexos é igual. Freqüentemente se associam crises TCG, e mais raramente
ausências. As crises ocorrem logo após o acordar e são precipitadas pela
privação de sono. O padrão eletrográfico característico na epilepsia mioclônica juvenil é a presença de descargas de complexos
de PEO simétricos, de freqüência superior a 3Hz, com acentuação fronto-central e variação do número de espículas de cinco a
20. Durante as crises de ausência, observa-se padrão de espícula-onda ritmada a
3-4Hz4. Anormalidades focais foram relatadas em alguns estudos9,10.
Estas alterações focais por vezes podem dificultar o diagnóstico desta
entidade, especialmente nos casos em que as ausências iniciam-se antes das
crises mioclônicas. Fotossensibilidade
está presente em cerca de um terço dos casos. As crises são de fácil controle
com drogas apropriadas4,11.
·
Epilepsia com
crises TCG ao despertar
As crises ocorrem na maioria dos
casos na segunda década de vida, exclusivamente ou predominantemente ao despertar
(>90%), independente da hora do dia. Podem ocorrer também outros tipos de
crises, como as ausências e as crises mioclônicas.
Crises podem ser causadas pela privação de sono e outros fatores externos; há
freqüente predisposição genética. O EEG mostra padrão das epilepsias
generalizadas idiopáticas e há frequente
fotossensibilidade4.
·
Outras
epilepsias generalizadas idiopáticas não definidas acima.
·
Epilepsias com
crises precipitadas por modos específicos de ativação. Crises precipitadas são
aquelas nas quais fatores ambientais ou internos consistentemente as precedem. Relação
consistente pode ser reconhecida entre um ou mais eventos não ictais e a ocorrência de crise estereotipada específica4.
Na classificação da ILAE de 1989 as
formas de SEG criptogênicas ou sintomáticas que
cursam com ausências são as que serão descritas a seguir4.
·
Síndrome de Lennox-Gastaut
As crises se iniciam entre 1-8 anos,
geralmente associadas a retardo mental e são comumente tônicas, atônicas,
crises de ausência atípica, e mais raramente mioclônicas,
TCG e parciais. O EEG mostra atividade
de base lenta, CEO lentos (<3Hz) e em sono surtos de atividade rápida em
torno de 10Hz4.
·
Epilepsia com
crises mioclônico-astáticas
As crises se iniciam após
desenvolvimento neuropsicomotor normal. Entre 2-5
anos e são mioclônicas, astáticas,
mioclônico-astáticas, ausências com componentes clônicos e tônicos e TCG. O EEG pode mostrar ritmo 4-7Hz,
ter CEO rápidos ou polispícula-onda4.
·
Epilepsia com
ausências mioclônicas
As crises se iniciam por volta dos 7
anos e se caracterizam por ausências acompanhadas por abalos rítmicos clônicos, frequentemente associados a uma fase tônica.
Retardo mental e refratariedade medicamentosa podem
ocorrer. O EEG mostra CEO bilaterais síncronos e simétricos ritmados a 3Hz4.
A
proposição de classificação de crises da ILAE de 2001 inclui as
seguintes entidades clínicas entre as formas de SEG idiopáticas que podem
cursar com ausências: Epilepsia com Crises Mioclônico-astáticas;
Epilepsia Ausência da Infância; Epilepsia com Ausências Mioclônicas;
Epilepsia Generalizada Idiopática com Fenótipos variáveis, que inclui a Epilepsia
Ausência Juvenil, a Epilepsia Mioclônica Juvenil e a Epilepsia
com crises TCG; e finalmente a Epilepsia Generalizada com Crises Febris plus (EGCF+)12.
Em 1997 Berkovic
& Scheffner descreveram família australiana que
apresentava crise febril (CF) e outros tipos de crises generalizadas afebris (mioclônicas, atônicas, tônico-clônicas, ausências), e a entidade foi chamada de
EGCF+, em que várias
apresentações fenotípicas estão presentes dentro da mesma família: CF
clássicas; CF que persistem além da idade de 6 anos (CF plus);
e CF associadas a outros tipos de crises generalizadas afebris
(EGCF+)13.
Não há consenso na literatura sobre
a classificação das síndromes epilépticas generalizadas idiopáticas que cursam
com ausências. Panayiotopoulos et
al. aventaram a hipótese de que as AT teriam características específicas nas
diferentes síndromes 5,6,14. Há alguns autores que sugerem a
existência de um continuum em relação
à apresentação clínica e resposta
terapêutica. Berkovic et
al. discutiram que as síndromes generalizadas representam espectros distintos
de acordo com o tipo de fatores etiológicos encontrados (“continuum biológico”)
O grupo de classificação da ILAE em relato
publicado recentemente (2006) considerou sistemas alternativos na classificação
das crises e síndromes epilépticas18. Este relato dividiu as crises
epilépticas em crises auto-limitadas e estado de mal epiléptico. As crises de
ausências foram agrupadas entre as de início generalizado em 3 tipos: 1) AT: aquelas
presentes na ausência da infância, da juventude e as do tipo fantasma19,
sendo que não está claro se representam espectro maturacional
da mesmo fisiopatologia ou diferentes entidades; 2) ausências atípicas: com
manifestações variáveis de hipo ou atonia; 3)
ausências mioclônicas: componente clônico rítmico (2,5-4,5Hz) associado a fase tônica. O
estado de mal de ausência foi dividido em: 1) Típico e Atípico: nas formas
idiopáticas tem similaridades às crises de ausência atípica e nas sintomáticas
pode haver sobreposição a estado de mal focal devido a lesões nas regiões
frontais; também citadas formas induzidas por drogas, de início recente no
idoso e por suspensão de drogas, que apresentam mecanismos semehantes;
2) Ausência Mioclônica: acompanhado por abalos mioclônicos nos membros superiores associados a CEO a 3Hz,
geralmente refratário a DAE. As síndromes epilépticas por sua vez foram
divididas em relação à faixa etárea, e as síndromes citadas
acima, nos grupos da infância (Epilepsia com crises Mioclônico-astáticas,
Epilepsia com Ausências Mioclônicas, Síndrome de Lennox-Gastaut, Epilepsia Ausência da Infância) e da juventude
(Epilepsia Ausência da Juventude, Epilepsia Mioclônica
Juvenil), além de condições especiais (Epilepsia somente com crises TCG, Epilepsias
Reflexas, Epilepsia com Crises Febris plus)18.
Há outras formas de SEG com
ausências não descritas na classificação da ILAE. Panayiotopoulos
et al. descreveram pacientes com história familiar
para epilepsia que apresentavam crises de ausência de início na infância ou
adolescência acompanhadas por mioclonias periorais, podendo ser associadas ulteriormente a crises
TCG e estado de mal de ausência20. O EEG ictal
mostra descargas de CEO irregulares e multiespícula-onda
com freqüência de 3-4Hz. A síndrome de ausências fantasmas (“phantom-absences”) e crises TCG se caracteriza pela
presença de crises de ausência com duração inferior a 3-4 segundos e estado de
mal de ausência na vida adulta19.
Verifica-se portanto uma grande gama de apresentações clínicas que podem
estar correlacionadas a um substrato comum, como mostrado em trabalho de
Betting et al (2006) que mostrou aumento volumétrico
da região anterior talâmica em pacientes com crises de ausência quando
comparados a outras formas de SEG idiopáticas sem ausências21.
III- Aspectos genéticos
Em 1951, Lennox observou que gêmeos
monozigóticos apresentavam em 75% das vezes, concordância para as crises de
ausência, em 84%, para o traço espícula-onda a 3Hz22. Metrakos & Metrakos, em 1961,
ao estudarem as famílias de 211 pacientes, aventaram modo de transmissão
autossômico dominante dos CEO, com penetrância máxima
idade-dependente não relacionada à presença de crises23. Doose et al., em 1973, na análise de 252
pacientes, observaram indícios de herança multifatorial nas ausências com
padrão de espícula-onda24. Janz et al. (1994), ao estudarem 31 famílias
com mais de um indivíduo com epilepsia ausência, relataram concordância para
formas com caráter picnoléptico ou não, sugerindo subsíndromes geneticamente distintas25. Possíveis
sítios de acometimento em pacientes com epilepsia ausência da infância foram
descritos na década de 90, como o cromossomo 8q24 em uma família indiana26
e polimorfismo no gene do receptor de glutamato em 20
famílias de pacientes com a forma juvenil27.
Posteriormente várias mutações em genes que codificam canais iônicos ou
receptores de membrana foram descobertas em famílias com EGCF+ 28-30.
Recentemente alguns estudos descreveram famílias com CF associadas a crises de
ausência em que foram observadas mutações nos genes da subunidade g2 do receptor
GABAA (GABRG2)31-33 e da subunidade b1 do canal de
sódio voltagem dependente (SCN1B)34. Foram também descritas mutações
dos canais de cálcio (CACNA1H) em pacientes da China na epilepsia ausência35,
não confirmados em pacientes europeus36.
IV- Tratamento
A abordagem terapêutica das SEG que
cursam com ausências consiste em medidas gerais de aconselhamento, evitando-se
fatores desencadeantes como privação de
sono, e tratamento medicamentoso. De uma forma geral, estas síndromes respondem
bem à terapêutica e cerca de 80% dos pacientes evoluem com controle das crises.
A maioria dos autores considera o VPA, e mais recentemente seu derivado, o divalproato de sódio, as DAE de escolha37-40. Bourgeois, ao chefiar o Grupo Colaborativo de Estudo sobre monoterapia com VPA no tratamento das epilepsias primárias
generalizadas (1987), observou controle das ausências em 82% de 51
casos37. No entanto, baseados em seu perfil de efeitos colaterais,
especialmente em pacientes do sexo feminino em idade fértil, alguns grupos
preconizam a utilização da LTG41-2. O VPA tem como efeitos
colaterais comuns, ganho de peso, queda de cabelos e tremores dose-dependentes, e efeitos mais raros, encefalopatia, falência hepática, de maior risco, em
crianças abaixo de 2 anos43. Deve-se lembrar também da possível teratogenicididade quando usado em adolescentes do sexo
feminino, sendo recomendada a suplementação com ácido fólico.
No tratamento das ausências também
podem ser utilizadas DAE de segunda linha como ETX, benzodiazepínicos,
e mais recentemente LTG. ETX é considerada por alguns a droga de escolha nos
casos de ausências sem crises TCG, especialmente pelos poucos efeitos
colaterais, como soluços e anorexia. Alguns autores consideram eficácia semelhante
de ETX e VPA no tratamento das ausências 44-5. Em casos refratários
à associação ETX e VPA, uso de outras DAE foi descrito, como benzodiazepínicos, acetazolamida
e mais recentemente LTG 40-2,46-7. Deve-se lembrar que certas
DAE podem desencadear ausências ou mioclonias, como DPH
e CBZ, ou exacerbá-las, como PMD e PB 48.
Referências: