| Material Didático | ||
Modelos Experimentais de Epilepsia Focais
Luiz Eugênio Araújo
Mello
Departamento de
Fisiologia, Universidade Federal
Introdução
Epilepsia é um termo genérico que se refere a conjunto heterogêneo de distúrbios do sistema nervoso central. As epilepsias podem ser categorizadas em generalizadas e parciais, com referencia ao envolvimento de parte do sistema nervoso (parciais) ou de ambos hemisférios cerebrais (generalizadas). Há algum tempo atrás as epilepsias parciais eram referidas como epilepsia focais. Esse termo (ficais) caiu em desuso visto que nem sempre era possível determinar esse “foco” epiléptico. Por outro lado a manifestação clínica da crise epiléptica, tendo uma natureza limitada, certamente permitia o emprego do termo parcial, que assim prevalece neste momento. Por outro lado, o termo “focal” tem certamente um importante apelo quando se considera a geração de uma dada crise epiléptica. É evidente que a crise deve ter inicio em uma porção de tecido (ai considerado o conjunto de neurônios, de células gliais, vasos sanguineos, matriz extra-celular) e assim essa porção de tecido poderia ser chamado de “foco”.
Ainda que nos casos das
epilepsia humanas, o conceito de foco possa ter diversos complicantes (dos
quais apenas um foi indicado acima) quanto se trata de um modelo experimental,
a ideia de foco pode ser certamente mais aceitável. Assim, de forma geral, denominamos de modelos
de epilepsia focal aqueles modelos que servem para modelar as epilepsia
parciais vistas na clínica.
Um importante atributo
de qualquer modelo tem a ver com o que se pretende modelar. Além disso, um
modleo é semore apenas um modelo e jamais a situação real. Tem portanto
limitações, que devem ser do conhecimento de seu usuário.
Um modelo de epilepsia pode ter várias dimensões e
planos de categorização. Pode ser um modelo in
vivo, utilizando portanto um animal inteiro, ou um modelo in vitro, utilizando uma fatia de tecido
ou uma cultura de células ou ainda células isoladas. Duas variantes ainda
existem nessa dimensão, modelos in situ,
onde o encéfalo é mantido em seu local mas o animal morto é oxigenado e mantido
em equilíbrio graças a canulação das carótidas, e modelos in silico, na verdade um trocadilho com os demais termos para
referir as modelagens feitas em computador.
Uma outra dimensão refere-se ao tipo de célula, de
conjunto de células ou de animais que se utilizar. Uma outra intimamente
relacionada a esta é a genética. Assim,
evidentemente, ao usar um camundongo (Mus) como animal de experimentação, posso
ter acesso a um gigantesco repertório de mutações genéticas espontâneas ou
induzidas e que me permitam acessar detalhes da sinalização celular. Ratos
(Rattus) por outro lado, permitem uma maior acesso em termos de abordagens
eletrofisiológicas crônicas bem como da própria análise comportamental por meio
do vídeo, além é claro de terem um encéfalo significativamente maior. Cobaias ou porcos-da-India (Cavia) são muito utlizados em
experimentos em que se fatia o encéfalo ou mais especificamente para aquela
preparação in situ acima referida.
Macacos tiveram um tempo áureo de uso, principalmente com animais do velho
mundo (Macaca e Papio) nas décadas de 1950 até 1970 tendo tido uma importante
redução desde então. Outros roedores que foram ou estão sendo utilizados são o Proechymis o gerbo (Meriones unguiculatus) e em primatas o sagui (Callithrix) Fora os
mamíferos, a mosca das frutas (Drosophila),
o peixe paulistinha (Danio rerio), os
ovócitos de Xenopus igualmente têm
contribuido com modelos de epilepsia, além de mais antigamente terem sido
descritos modelos
Outras dimensões incluem crônico versus agudo e com crises espontâneas versus induzidas. Essas duas dimensões por sua vez podem
misturar-se havendo modelos de crises agudas espontâneas bem como modelos de
crises induzidas crônicas. Ainda uma outra dimensão refere-se a forma de
indução das crises que pode ser mediante a aplicação de estímulos químicos
(drogas, toxinas) ou físicos (frio, calor, eletricidade, mecânico, som, luz)
que por sua vez podem produzir crises agudamente ou desencadear a emergência de
crises tardias e espontâneas.
O que
modelar?
Ainda que a maioria dos trabalhos com epilepsia use
modelos de epilepsia em ratos (12.913 trabalhos no PubMed em 10/01/07), há um
significativo contingente de pesquisa em epilepsia em camundongos (6.056) e um
número bem menor nas demais espécies (457 em cobaias, 254 em gerbiolos, 204 em
Rhesus, 53
Assim, a definição adequada da hipótese experimental,
da pergunta sendo formulada, deve ser o primeiro elemento no estabelecimento do
modelo escolhido. Idealmente uma dada demonstração deveria inclusive ser feita
em mais de um modelo experimental de forma a eliminar aspectos de interpretação
que possam ser específicos apenas de um dado modelo (permitam generalizar os
achados). O outro item essencial na definição do modelo é conhecer-se bem o
modelo e saber de suas limitações e de suas vantagens.
Em epilepsia as perguntas poderiam ser divididas
naquelas relativas a ictogênese (geração de crises) e epileptogênese (geração
de epilepsia). Nesses termos podemos estar buscando entender como uma crise é
gerada. Quais os circuitos neuroanatômicos envolvidos, que evidentemente variam
No curso essa apresentação vai detalhar alguns dos
mais importantes modelos de crises e epilepsia focal e usará como base a
bibliografia abaixo indicada.
Questões
base preparatórias:
1)
Porque usar modelos de epilepsia
focal?
2)
Qual a diferença entre um
modelo de epilepsia e um modelo de crise focal?
3)
Em que condições é mais
vantajoso utilizar um modelo in vitro?
4)
Podemos chamar de convulsão
uma descarga epiléptica in vitro?
5)
Porque utilizar outras
espécies de mamiferos?
6)
Quais os limites a serem
vencidos?
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